
Começo a achar que me escudo sempre nas pessoas erradas. Começo a achar que é errado escudar-me em alguém. Mas o ser humano precisa sempre de um porto de abrigo, e eu escolhi-te para o meu!Hoje secretamente comecei a dar-te razão… sim, a ti que não vês razões para que eu deseje estar contigo, que dizes nada teres para me dar. Nunca assim pensei, mas agora começas a não estar disponível só para mim… e eu injustamente começo a condenar-te.[Desculpa, mas foi mais forte do que eu!]Começo a achar que sou eu quem fere os outros com a minha maneira de ser, com as minhas limitações. Se calhar não preciso de protecção. Se calhar devo entrar na tua cabana com fendas no tecto e deixar que a chuva e o vento me despertem da ilusão.[Não serão eles as minhas lágrimas e os meus suspiros?!]Quando acordar definitivamente, sairei para a rua para que os outros me apontem as fendas que abri nas suas vidas, ainda que a minha intenção sempre tenha sido dar-lhes um pouco de mim. Talvez seja isso agora… despedaçada, por ter imaginado dar pedaços meus e, em vez de ter reparado fendas com eles, em lugares onde me abrigar, os tenha largado por tempos passados imutáveis… Condeno assim os tempos futuros indefinidos.Perco muito do que se vive na minha idade, dizem… Hoje também tu o disseste com o teu silêncio. A prova de que se calhar me agarro a momentos, cujo significado se desfaz gradualmente com o tempo, mas os quais moldo para que possam permanecer sempre connosco… mais uma ilusão?! Talvez…A pessoa que me deu a vida diz que vê vezes demais o cansaço e o abatimento no meu rosto[Curiosa capacidade do ser humano captar o sofrimento!!].Sou eu que continuo a lutar comigo mesma para ser um pouco do que todos querem que eu seja e ainda o que sou porque quero! O tempo passa… tenho-o contado, pois a minha recuperação de forças não dura eternamente. Mas eu sinto-me cada vez mais fraca… e acho que nem as receitas de “grande vida” dos outros servem para mim.Acho que vou parar por aqui… vou construir o meu abrigo, sozinha. Vou remendar-me com o que os outros me dão?! Inevitavelmente… mas começo a perceber que alguns dos pedaços não virão de ti, nem de ninguém… Talvez fique sempre com defeito. Talvez…
A confiança é o fio navalha!
A confiança é o fio navalha!
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