Tu sabias. TU, acima de tudo e todos sabias! Sabias da minha fragilidade, dos meus medos, do que já tinha sofrido (aliás, foste uma testemunha), sabias de tudo o que havia para saber…e o que é que fizeste? Desiludiste-me, magoaste-me, fizeste-me sofrer, deixaste que te levassem e foste, contente, desejoso por me abandonares… Deixaste-te levar por uma pessoa que não me deixava estar contigo, e, juntamente com outras pessoas, foste esquecendo o quanto eu realmente te admirava, adorava, e todo aquele carinho e amizade especial que eu tinha por ti… Cada vez que eu me sentia infeliz e insegura tu dizias-me que não tinha razoes para isso, mas agora já se viu que tinha razoes não foi? Eu sentia que não confiavas totalmente em mim, que não tinhas um gosto genuíno de estar comigo, que te tinha posto um “fardo” em cima de ti cedo demais ao chamar-te algo importante, que cada palavra especial e de carinho que me dizias não era verdadeira e que só aumentava a tua repulsa… tudo isto é real apesar de o negares… eu vejo-o nos teus gestos, olhares, acções, opções…O que me disseste no passado está ao contrário no presente, as pessoas que odiavas agora amas… Revelaste a tua falsidade! És tão falso como as outras pessoas que julgavas, és tão falso como as tuas palavras, tão falso… Todas as nossas discussões tinham fundamento nos meus medos de te perder, e, apesar de tu me assegurares eu não ficava segura… No entanto, EU TINHA RAZÃO, não tinha?


Estou melhor sem ti, já não me preciso de preocupar . . . e repito: EU TINHA RAZÃO.

Quero um dia...


"..."
Não quero alguém que morra de amor por mim.. Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim,me abraçando. Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,quero apenas que me ame,não me importando com que intensidade. Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto,gostem de mim.. Nem que eu faça a falta que elas me fazem,o importante para mim é saber que eu,em algum momento,fui insubstituível.. E que esse momento será inesquecível.. Só quero que meu sentimento seja valorizado. Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto,mesmo quando a situação não for muito alegre.. E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor. Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém..e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,que faço falta quando não estou por perto. Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,alguém me valoriza pelo que sou,não pelo que tenho.. Que me veja como um ser humano completo,que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona,que dê valor ao que realmente importa,que é meu sentimento..e não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude,para que eu nunca cresça,para que eu seja sempre eu mesma. Não quero brigar com o mundo,mas se um dia isso acontecer,quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe.. Que ele é superior ao ódio e ao rancor e que não existe vitória sem humildade e paz. Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar,amanhã será outro dia e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,talvez obterei êxito e serei plenamente feliz. Que eu nunca deixe a minha esperança ser abalada por palavras pessimistas.. Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM. Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa,de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante para mim,sem ter de me preocupar com terceiros..Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento. Quero,um dia,poder dizer às pessoas que nada foi em vão.. Que o amor existe,que vale a pena se doar às amizades a às pessoas,que a vida é bela sim e que eu sempre dei o melhor de mim..e que valeu a pena.

E se o amanhã não viesse?


No meio do nada, o tudo me rodeia, absorvida no meu próprio diluvio de responsabilidades quotidianas, perco a noção de espaço e tempo, de forma tal que me esqueci que o amanhã pode não acontecer. E se o amanhã não acordar mais para mim?Não quero passar sem pedir perdão a quem magoei, ainda que não tenha sido intencional, sem agradecer, vezes sem fim, a quem bem me fez, sem dar o devido valor aos meus pais pelos valores morais incutidos, e à vida pelos ensinamentos que me deu. As amigas falsas, às verdadeiras, às boas, às menos boas, pois todas elas foram importantes para que eu percebesse as diferenças da vida, e que nem todas as pessoas são à nossa semelhança.Ao amor pelo bem e pelo mal, e às pessoas que o partilharam comigo, pois sem elas não perceberia o sentido do palpitar, do desejar ou até do correr de uma lágrima no meu rosto.Se Deus decidir que não me quer mais aqui no amanhã quero agradecer-lhe também, pelas dádivas, pelas provas e privações... pois cresci, aprendi e amadureci com tudo o que Deus me deu para viver.Se estes meus olhos cor-azeitona teimarem em não abrir no amanhã, quero dizer ao Sol o quão importante foi para mim, que ele me sorrisse e aquecesse todas as manhãs, à Lua por todos os beijos de boa noite e, por fim, às estrelas por me fazerem acreditar uma e outra vez no faz de conta que envolve o sonho da vida.É a particularidade de tudo isto que me faz sentir viva e com vida em mim para cada dia viver o máximo do que a vida me dá respeitando tudo o que me rodeia... pois posso não existir num amanhã, e não gostaria de partir sem dizer tudo isto... e tanto mais que fica por dizer, mas que se sente cá dentro...

Odeio-te




Odeio-te. Odeio-te com todas as minhas forças. Odeio-te por todos os sentimentos e sensações contraditórias que fazes sentir em mim. Odeio-te pela amargura que sinto quando dizes que não tens as respostas que eu quero ouvir…que não sabes as respostas que eu quero ouvir… Quando me fitas com um jeito diferente e me dizes “Não é nada…”, sim odeio-te também nesse momento pois lá no fundo eu sei que é algo mas tu, tu não me queres dizer o que te passa na cabeça naquele momento fugaz… E odeio-te porque não te conheço apesar de te dares a conhecer constantemente… Odeio-te porque não sei o que fazes, não sei o que pensas e sinto-me impotente perante a tua presença, sozinha na tua ausência. Odeio-te, sim odeio-te. Odeio-te quando desfolhas um livro à minha frente e finges ler tudo com muita atenção quando sei que te róis todo a pensar no que eu estarei a pensar. E eu estou aqui à tua frente, esperando por respostas que teimas em não dar. Ignoras as perguntas que faço sem usar palavras… e apenas o meu olhar tem a irreverência de as pronunciar… E sim odeio-te porque não sei como dormes, em que sonhas quando dormes e onde te perdes… ou em que posição te deitas quando um frio árido te percorre a espinha… Será que te encolhes? Será que sentes o teu corpo a congelar e ficas quieto à espera que passe? Odeio-te porque não sei o que vês, o que falas, o que tocas quando não estou por perto. Será que falas muito? O que será que sussurras ao ouvido de desconhecidos? Que corpos tocas tu? Sentem frio ou calor? Arrepiam-se quando dás o primeiro beijo? Ou será apenas com o segundo? Ou o terceiro talvez?! Olhas-me de novo… e eu odeio-te de novo… os teus olhos reflectem indignação e curiosidade a meu respeito. Odeio-te por não saber nada de ti. Odeio-te por teres tocado em mim (ter-te-ia dado tudo, bem sabes…) e eu nada conhecer de ti. Nem o que comes ao pequeno-almoço, nem como te sentas no sofá em frente à televisão. Odeio-te porque me perguntaste mais uma vez “O que foi?”… Odeio todos os teus movimentos apesar de querer que eles façam parte de mim. Odeio as páginas que desfolhas pois não é a minha vida que descobres. Odeio quando afastas o fumo do cigarro com um sopro pois parece que é a mim que rejeitas… E odeio quando me dizes “Gostei deste poema..” “Qual?”- digo eu. “O que tu és…” de Florbela Espanca. Bonito poema, sim de facto. Odeio todas as palavras que proferes, todos os sons irritantes que deixas escapar… Odeio tudo em ti… Odeio quando dizes que adoras que eu diga que te odeio porque sabes que não é verdade… E odeio tudo em mim por querer saber tudo de ti… Odeio-te. Quero odiar-te… e simplesmente….não consigo…

A Raposa e o Principe ( ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY )


(...)


E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira.

- Quem és tu? - perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.

- Ah! desculpa, disse o principezinho.



Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?

- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?

- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."

- Criar laços?

- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...

- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...

- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?

- Sim.

- Há caçadores nesse planeta?

- Não.

- Que bom! E galinhas?

- Também não.

- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa nenhuma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa nenhuma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.

- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.


- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estaria inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.

- Que é um rito? perguntou o principezinho.

- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!


Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada.

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo...

Depois acrescentou:

- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.


O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.


- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.


E as rosas ficaram bastante incomodadas.


- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sózinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a que eu reguei. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo.. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu vi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.


E então voltou para o pé da raposa e disse:

- Adeus...

- Adeus - disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...

- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.

- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com aminha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.

- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não deves esquecer dela. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas... Tu és responsável pela tua rosa...

- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.


(...)